"Ideologia. A crença que o cedo tem na existência do arco-íris."
Autor: Millôr Fernandes
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Quando: 19/07/2006
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Atendendo a pedidos, aí vai um texto, por assim dizer, mais roots.
[Capítulo de um romance inacabado]
Dia sim, dia não, Josefa dava uma passadinha no cemitério. O sol das treze horas vertia-se sobre o solo, amolecendo corpos. A cruz pátea do mausoléu da família abençoava a cidade dos ourives, um ocaso entalhado no sopé do morro-que-faz-a-curva. A peça, fincada sobre uma velha capela, foi construída por motivo de "distinção heráldica". Encomendada no exterior, a prata solitária resplandecia na paisagem.
O terço de madre-pérola escorria pelas mãos suadas. "O capeta sempre está procurando alguém para devorar". O coveiro e seu passinho tímido. A mulher mal passara pela entrada e o sujeito já ia no seu encalço.
- Tarde, Dona Josefa!
- Não estou pra conversas hoje. Me deixe em paz.
O homem não se fez de rogado e, sem o menor constrangimento, insistiu:
- Tem um dinheiro aí pr'eu receber...
- Que dinheiro? Já não te dei semana passada?
- É, mas deu bicho no túmulo de seu pai essa noite e revirô a jardinêra toda. Tive uma trabaiera danada pra limpar hoje de manhã.
- Que bicho?
- Sariguê. O miserávi espedaçou as florzinha que eu prantei semana passada...
Josefa foi abrindo a bolsa, mas desistiu ao ver o olho esbugalhado do coveiro. "Não tem dinheiro nenhum. Estou sem trocado". Mal deu as costas, recebeu uma pancada no ombro. Virou-se no susto e levou outro golpe do gadanho, dessa vez na face. Desfaleceu imediatamente. Um minguado filete de sangue se precipitou na testa, maculando a pele alva. Logo o sangramento se tornaria abundante, chorume encarnado e fluido.
Ao ver o corpo estirado, o coveiro se refestelou. Atirou-se sobre a mulher e abriu a braguilha da calça com volúpia. Estrebuchava feito verme no lodo. Para a sua sorte, calhou de não haver nenhum sepultamento naquela tarde.
A violência com que penetrava a beata era tamanha que a vez recuperar algum sentido. O sangue misturava-se ao suor dos corpos e a mão áspera do homem sufocou o gemido tíbio da vítima.
Enquanto se contorcia bizarramente sobre a mulher, ele tratou de esganá-la. Uma gemedeira só. E o coito interrompido. Sofregamente, levou o sêmen da palma esquerda até a boca e, satisfeito, comprimiu as vistas. A sua feição de nojo e prazer exprimia algo de sinistro, humanamente sinistro.
O sol não estava para brincadeira. Um inusitado trevo de luz furou a nuvem persistente, desenhando no chão a imagem da sorte. O coveiro voltou rapidamente com um carrinho de mão. Carregou o corpo da vítima, cobrindo-o com uma lona preta. Tinha sempre que levar cal para algum lugar, e, se alguém aparecesse, pensaria na cal por sob o plástico.
A mão calejada e suja de sangue e terra segurava as barras de ferro com firmeza. Atrás do cemitério "oficial" havia o terreno das covas rasas, o baldio das almas sobre-humanas. Quatro buracos no chão acentuavam a aridez. No último, lá perto da cerca para a casinha miserável, o assassino jogou o corpo da beata sem nenhum pesar. Sorriu, olhou para o céu e pegou a pá sempre próxima.
Vamo animar isso aqui!
Coisas inesquecíveis [e outras nem tanto]
Empinar "arraia"
Itacimirim, roda de violão, Jokerman dance to the nightingale tune...
Aula sobre o Império Bizantino
Castelinho Caracol
Didi imitando Maria Bethânia
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Chuva do carnaval de 97
Dor de garganta no carnaval de 86
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Fúria de Titãs
a Barra da Tijuca
o Humaitá
o parquinho da festa do Bonfim
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22 de maio de 2004
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Dieta do Agreste [sátira do TV Pirata]
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Final da Copa de 94
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Bis
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Jaspion
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Calango e lampréia
Hoje que você é a rainha / Do meu velho e vasto estranho reino...
Polias e roldanas
Neruda
Sobrinhos
Eternal sunshine of the spotless mind.


um tanto de melancolia
umtributoaoblog.
A última vez [ou Derradeira Solidão]
O último franzir da carne
A dor, uma faca açoitando a pele
E eis que as veias entopem
Sangue morto, pele lânguida.
O último murmúrio da voz
Ouvidos moucos, vozes veladas
E eis que o som se dissipa
Palavras suspensas, tal silêncio.
O último clarão do sol
Olhos empapados, visão rarefeita
E eis que a luz se apaga
Pálpebras cerradas, escuridão.
E eis que o pensamento se esgota
No rosto, duas lágrimas furtivas
Na garganta, uma gota de fel
No último suspiro do corpo
Os dias e as luas se vão
Tristezas são inúteis
Alegrias, findas
Sangue morto
Tal silêncio
Escuridão
Escrevi o texto a seguir na época da conquista do pentacampeonato de futebol, em 2002. Revirando meus arquivos, o encontrei numa pasta intitulada "preferidos". Continua sendo e, agora, mais pertinente do que antes.
A lição do futebol
Em "O mal-estar na civilização", Freud reafirma a velha concepção ("defendida" por Goethe, Schopenhauer e tantos outros) de que o ser humano está, na maior parte da sua existência, fadado ao sofrimento, à dor e à decepção. Visão extremamente pessimista do humano, não deixa de ter enorme carga de veracidade, uma vez que a felicidade, popularmente consagrada como um "estado de espírito", faz-se momentânea, fugaz e mais difícil de experimentar do que a infelicidade (que – travestida ou não de tédio – pode nos afligir a partir de três direções: de nosso corpo, condenado à dissolução e à decadência; do mundo, impiedoso e indiferente ao nosso sofrimento; e, principalmente, de nossos relacionamentos com outras pessoas). Percebam que, para atingir um estágio pleno de felicidade, precisamos estar em profunda comunhão com o mundo, com os outros e com a nossa própria saúde físico-mental, o que, convenhamos, não é tarefa fácil. Então, o que fazer? Como suportar a vida?
Freud "lista" quatro medidas paliativas para aplacar a desilusão humana ("derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desventura"): química (a mais grosseira e perigosa, causa dependência e danos físicos), religiosa (pueril, mas extremamente eficaz), científica (a busca e o prazer da descoberta) e artística (um sopro de fantasia contra a crueza da realidade). Parece-nos interessante ressaltar esta última como clara explicação para o prazer que nos causa o tal futebol-arte e porque o preferimos ao joguinho burocrático e sem graça dos europeus. A graça e a felicidade que nos proporcionam os dribles desconcertantes de nossos craques são como antídotos contra a monotonia. Mesmo que não tenha se igualado em beleza à seleção de setenta, que, infelizmente, só pude assistir em videoteipes, os atuais pentacampeões nos brindaram com momentos de rara beleza, como o segundo gol da final contra a Alemanha. Momentos únicos, arrebatadores que, como tais, mereceram o seguinte – e justo – comentário do jornal espanhol El País: "quando achamos que a vida é previsível demais, sempre nos resta o Brasil".
A TV, tão criticada por diluir a interação do público com as manifestações culturais, fez-se presente em quase todos os momentos que elevaram e disseminaram pelo mundo o distintivo artístico do futebol brasileiro, a ponto de o historiador britânico Eric Hobsbawn o ter definido como uma das poucas manifestações artísticas do século XX. Isso explica, em parte, porque o Sudão (ou sabe-se lá que país longínquo) vibrou com a quinta conquista mundial dos canarinhos. Entretanto, essa mesma TV vem potencializando um fenômeno antagônico, perverso que, a todo custo, pretende transformar o espetáculo do futebol num nicho mais que propício para as estratégias do marketing. O mundial da Coréia e do Japão foi emblemático desta realidade. Na última Copa, quem mais "sofreu" com a sanha das grandes marcas comerciais foi a seleção francesa, ou melhor, os torcedores do time.
Alçados ao posto de grandes astros do futebol, sinônimo de qualidade e sucesso, os campeões da Copa da França em 1998 e da Eurocopa 2000 viram seus rostos e corpos se multiplicarem em embalagens de queijo, vinhos e num sem-número de comerciais da TV. Pensando ser o futebol uma fonte de investimentos segura, grandes empresas multinacionais desembolsaram tubos de dinheiro para ter o nome estampado na camisa dos bleus (azuis) que, via satélite, alardeariam pelo mundo a associação de marcas famosas com o êxito do escrete liderado por Zinedine Zidane. Não foi bem isso que se viu. Ao contrário, quebrou-se – literalmente – a banca.
A seleção francesa fracassou clamorosamente e não adianta dizer que houve manipulação da Fifa para beneficiar a Nike (patrocinadora do Brasil) em detrimento dos bleus da Adidas, pois o time europeu sequer passou da primeira fase, numa humilhante eliminação (não marcou nenhum gol) que certamente não ocorreria se certos interesses – que inegavelmente existem – prevalecessem.
Assim, o futebol redimiu o mundo da mediocridade capitalista. A França, para o bem do esporte, perdeu a Copa e jogou água na intenção dos marketeiros em tudo vender. Perdeu porque não jogou nada, mas, principalmente, porque pensou o futebol como algo previsível. O time, amparado pela reputação de melhor do mundo, sucumbiu à empáfia (pouco treinou) e ao tilintar do vil metal. O estandarte do marketing esportivo momentaneamente ruiu. Respiremos aliviados. Pelo menos por agora. Recorrendo ao combalido marxismo dos frankfurtianos (pertinente para a discussão atual), o marketing – não o cinema, não a TV – poderá destituir a "aura" de muitas manifestações da criatividade humana. O marketing, essa "entidade" moderna e implacável, que a tudo pretende abarcar, almeja converter a nossa rotina num grande negócio. E a TV, que outrora deu ao mundo belíssimas imagens de Pelé e Garrincha, lhe serve de importante tentáculo (lembremos: foi o capitalismo que forjou o marketing, não a televisão).
Freud já dizia: "a felicidade na vida é predominantemente buscada na fruição da beleza". Para o marketing, infelizmente, não existe beleza: tudo é amorfo. Como viveríamos, então, num mundo estéril, sem prazer, sem arte? A sublimação do prazer, pensam os radicais, é o objetivo final do marketing (padronizar gostos, massificar o consumo, tudo pode vir a ser bom, só dependerá da astúcia dos marketeiros). Talvez isso seja um exagero, pois a mente humana ainda é um mistério insondável, imprevisível. Mas é bom manter os olhos bem abertos. Não pensem, caros leitores, que este momento de euforia pela conquista do penta se perpetuará - já existem muitas marcas de olho no sucesso da nossa seleção. A felicidade é transitória e os gols de Ronaldo já ficaram para trás. Logo na chegada ao Brasil, Ivete Sangalo tratou de recepcionar os campeões com a camisa da Brahma.
Ao som de Sweet Adeline, de Elliot Smith.
Os Excêntricos Tenenbaums, puta-que-pariu, que filmaço! Passou na madrugada da Globo. Não o comentarei agora para me ater à trilha sonora utilizada pelo diretor Wes Anderson. Sweet Adeline, que embala o tópico, não está no filme, mas, como Elliot Smith, é a cara dos Tenenbaums. Pensem num CD com Ramones, The Clash, Velvet Underground e... Elliot Smith. Pensem nas imagens que podem ser extraídas das canções Judy is a Punk, Police And Thieves, Stephanie Says e Needle in the Hay. Agora corra para uma vídeolocadora e confira à vera. Ou simplesmente coloque a mula para trabalhar.
[flame!]
"Ideologia. A crença que o cedo tem na existência do arco-íris."
Autor: Millôr Fernandes
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Quando: 19/07/2006
http://www2.uol.com.br/millor/
(...) A câmera mostra um gravador, a fita girando dentro do cassete.
IKE. (Fora de quadro) uma idéia para um conto... (Suspira) sobre as pessoas de Manhattan que estão sempre criando problemas neuróticos e desnecessários para si mesmas, porque isso as mantém afastadas dos problemas mais importantes e insolúveis.
A câmera abre, mostrando Ike deitado no sofá, segurando o microfone do gravador junto à boca.
IKE. (No microfone) Hum... tem que ser mais otimista. Muito bem, a vida vale a pena ser vivida? Essa é uma boa pergunta. (Suspira) Hum... (Pigarro, suspira de novo) Há certas coisas que fazem a vida valer a pena, eu acho. (Suspira) O que, por exemplo? (Suspira, coça o pescoço) Ok. Pra mim... (Suspira) Eu diria que Groucho Marx, para citar um nome. (Suspira) Willie Mays e o segundo movimento da Sinfonia de Júpiter, e... a gravação de "Potato-head Blues" do Louis Armstrong... (Suspira) filmes suecos... "A Educação Sentimental" do Flaubert... Marlon Brando, Frank Sinatra... (Suspira) as maçãs e as peras incríveis do Cézanne... caranguejos no San Wo's...
Esse é um monólogo extraído do roteiro de Manhattan, o filme-síntese de Woody Allen, que eu adoraria ter escrito. Em poucas palavras, o mais moderno homem do mundo (para o bem e para o mal) consagrou os sortilégios da existência, algo que nenhum livro de auto-ajuda jamais foi capaz de fazer. Claro: eu trocaria alguns dos prazeres prescritos e acrescentaria outros. Mas isso é assunto para um novo tópico.
O horror, o horror....
2.
O segundo filme mais marcante da minha carreira de espectador é "Apocalipse Now". Não vivenciei o desencanto da geração pós-Vietnã (nem sei se este termo se aplica a não-americanos), mas fiquei atordoado quando assisti ao "armistício" do Coppola. As utopias ainda sangravam mundo afora e, no meio de uma mata hostil, o cineasta apresenta o "caso" de um militar que surta, simplesmente por acreditar cegamente em sua causa. Podem dizer que o absurdo da guerra corrompeu a personalidade do Coronel Kurtz (Marlon Brando, genial), mas, ele, alta patente, foi levado ao conflito também - ou principalmente - por causa de suas convicções pessoais. O germe da loucura, portanto, é anterior ao combate, que apenas catalisou a insanidade. Não se trata de um filme óbvio. Tem a "Cavalgada das Valquírias", guerra, ação, psicologismo (odeio esta palavra, mas não encontrei outra mais apropriada) e uma aparição relâmpago das coelhinhas da Playboy. Sobre estas últimas, gostaria de tecer o seguinte comentário: pra mim, é o que de mais louco há em "Apocalipse Now". No meio dos arrozais úmidos, cheirando a napalm, um bando de peitudas chega trazendo o alívio do sexo. Fiquei parado tentanto entender a inflexão, pareceu-me um hiato no meio do filme. Foi o que de mais americano e ocidental se poderia oferecer aos combatentes, além de representar grande interesse para os garotos, que, como eu, amavam os Beatles, os Rolling Stones e os Doors.
This is the end, my only friend, the end.
Assistam ao original e esqueçam a versão redux, repleta de enxertos desnecessários.
Sexy cool
Andei ouvindo essa expressão nos últimos dias. Muita gente fashion e fresca na Semana de Moda de São Paulo. Será possível que querem transformar até o sexo em cool? Ok, ok, sexy não é sexo-ação, é comportamento. Mas nada que remeta a sexo deve invocar amenidade. Acho que é hora de fazer um remake bem hardcore de o Último Tango em Paris.

1.
O primeiro filme da minha listinha é "O Sétimo Selo". É preciso prestar uma certa deferência aos clássicos, embora eu não pretenda recorrer a esse expediente para montar o meu cânone (putz!).
Aviso aos navegantes:
Ainda não descobri a razão de ser do tópico. A compulsão pela escrita me colocou contra a parede: "você tem um blog, escreva qualquer droga, caramba!". Estréia pífia. O tema explorado não vale de nada, nem deve interessar a ninguém (só a minha vaidade idiota).
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Ingmar Bergman costuma ser endeusado pelos intelectualóides, mas às vezes me parece meio frio e hermético. Aqui, não. Em "O Sétimo Selo", temos filosofia e (vá lá) metafísica sendo discutida sobre um tabuleiro de xadrez. Tudo bem ordinário na forma, mas profundo em significado. É a simplicidade que engana e encanta. E aquela belíssima fotografia em p&b casa perfeitamente com a cadência medieval do filme.
Tenho uma relação afetiva com "O Sétimo Selo". Me iniciei em Bergman por ele. Vivi o impacto e o desgosto de perceber que o desvão era mais embaixo (ou mais em cima, tanto faz). Quando pisquei, já era muito tarde.
Curiosidade: o título é uma referência ao capítulo oito do Apocalipse.
Eu não poderia estrear o blog de forma mais óbvia. Cinema. Quais são os 100 melhores filmes que assisti? A quem interessar possa, pretendo apresentar a relação aos poucos, intercalando-a com outras mensagens. Primeiro, porque vou comentar as obras e falar sobre o motivo da escolha. Segundo, porque a tarefa é árdua e a triagem, dificílima. O critério? Bem, não há critério algum. É gosto pessoal, preferência pura e simples. Quem não concordar que dê seu jeito!
P.S.: Por que diabos nós insistimos em fazer listas? Duas hipóteses: talvez seja uma forma besta e esquemática de resumir assuntos (e fugir das responsabilidades); talvez seja uma maneira de respeitar a preguiça dos leitores.
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