Os astros conspiram a favor de Fernando Meireles

Acabei de assistir à sensacional "Som e fúria", que coincidentemente estreou no dia desse show de horrores que foi o funeral de Michael Jackson (com seus finíssimos narizes, Latoya e Janet eram, no palco do Staples Center, a prova viva do legado do irmão). A série de Fernando Meireles fala de forma cínica e divertidíssima sobre a espetacularização da cultura e sobre a desfaçatez dos patrocinadores das artes, que conseguem transformar até um velório em pantomina. Que conjugação astral foi essa que permitiu a Meireles estrear sua nova obra justo no dia em que, de posse de ingressos(!), centenas de pessoas se reuniram para assistir ao velório-evento do maior astro pop do planeta? "Som e fúria" representa um alento para românticos como eu. E como dá gosto ver Pedro Paulo Rangel em cena!

É preciso ser justo: capa antológica da Veja

A gente sempre se perde da gente

Lendo todos esses obituários sobre o desaparecimento de Michael Jackson me veio uma recordação do tempo. O tempo do rei do pop, seu auge criativo, um tempo muito bom. Lá nos idos dos anos 80, o signatário deste blog ainda era um menino que usava conga e acreditava em Deus. Lá, nos estertores da guerra fria, a ausência do mal do mundo me fazia um bem danado e a vida parecia mais bonita e promissora.

Vai com Michael (vem com a morte dele) toda uma evocação do que eu fui, das alegrias que tive, da espera aflita pela estréia de “Thriller” no Fantástico. E eu me lembro disso com uma saudade infinita, lembro de um sofá vermelho, lembro de meu irmão imitando aquela risada cavernosa. Havia algum mistério prazeroso no domingo, havia uma inocência amena que, infelizmente, se perdeu de mim. Estou encharcado pela sinestesia do passado. As marcas que moldaram a minha existência formam agora uma neblina onde toca “Human Nature”. Eu queria muito me jogar nela outra vez, mas, não sei bem porque, não consigo. 

Adão Iturrusgarai

Qual a sua marca?

O blog da controvérsia

A mídia reagiu de forma desproporcional e raivosa ao blog criado pela Petrobras (http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/). A intenção de “publicar fatos e dados recentes da companhia e o posicionamento corporativo sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito em curso” desagradou em cheio à grande imprensa nativa, que viu na iniciativa uma tentativa de intimidação ao trabalho dos jornalistas.

Sob a recorrente – e falsa – alegação de cerceamento da liberdade de imprensa, os colunistas das grandes redações trataram de condenar em bloco a estratégia da petrolífera, sobretudo a idéia de divulgar antecipadamente as perguntas (e respectivas respostas) feitas pelos repórteres à empresa. Pateticamente, a Associação Nacional de Jornais veio a público endossar os esperneios de O Globo, Folha e Estadão, o que acabou dando ainda mais visibilidade para o espaço.

É óbvio que o blog da Petrobras fará a defesa dos interesses da companhia, o que é legítimo e de modo algum impede a imprensa de expor o contraditório dos relatos oficiais. A forma como a estatal decidiu fazer isso também é lícita, pois não existe nenhuma lei que impeça a fonte de se pronunciar antecipadamente sobre os questionamentos que recebe. O leitor que acessa o "Fatos e Dados" sabe de antemão tratar-se de um "conteúdo chapa-branca". Cabe aos jornais mostrar o outro lado da moeda.

Esse alarido dos jornalões não passa de corporativismo infantilóide e suicida, mas se a imprensa tradicional não se repensar frente aos novos desafios e especificidades da internet, vai acabar do mesmo jeito que a indústria fonográfica pós-surgimento do mp3.

"Sinto-me natural a milhares de metros de altura,/ nem ave nem mito,/ guardo consciência de meus poderes,/ e sem mistificação eu voo,/ sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,/ ligado à terra pela memória/ e pelo costume dos músculos,/ carne em breve explodindo." (Carlos Drummond de Andrade)

Essa noite uma insônia chata me perturbou e eu fiquei pensando no casal de recém-casados que desapareceu no acidente com o Airbus A330 da Air France. Tive um delírio de esperança e imaginei que iria acessar a internet e encontrar lá uma notícia sobre sobreviventes, dentre os quais o referido casal. Guardo em relação aos dois uma intimidade estranha, uma piedade familiar, como se me reconhecesse neles. Não gosto de observar a foto do casamento que realizaram no último sábado, aquela fé projetada nos rostos capturados me comove e, pra piorar, vi sumir junto com eles meu último alento em relação a viagens aéreas transcontinentais: o de que não acontecem acidentes sobre o atlântico. Coincidentemente, estive pensando nisso esses dias (sempre divago sobre o desejo de conhecer Portugal) e tentei amenizar o desespero de ficar 12 horas no ar com a justificativa de que não ocorrem desastres aéreos durante a travessia América-Europa. Pois bem, não me resta mais nenhuma bóia de salvação, nem a das mentiras estatísticas, nem a da estabilidade dos vôos em cruzeiro. Agora, para enfrentar a desnatureza metálica de uma viagem sobre a vastidão do oceano, só me sobrou o sereno fatalismo da poesia de Drummond ou a prosaica possiblidade de me dopar com olcadil. 

"Ó brancura, serenidade sob a violência/ da morte sem aviso prévio,/ cautelosa, não obstante irreprimível/ aproximação de um perigo atmosférico/ golpe vibrado no ar, lâmina de vento/ no pescoço, raio/ choque estrondo fulguração/ rolamos pulverizados/ caio verticalmente e me transformo em notícia."

Arbitrariedade inacreditável

Serra fez escola: está proibido fumar em ambientes totais ou parcialmente fechados de Salvador, conforme a lei 7.651, sancionada por João Henrique (desculpem o termo ofensivo) e publicada no Diário Oficial do Município. De autoria do vereador Alcindo da Anunciação (arebaguandi!), o projeto foi discutido e aprovado pela Câmara de Vereadores antes de ser encaminhado para sanção do prefeito.

De acordo com o artigo 1º da bendita lei: "fica proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, no âmbito do município de Salvador, em ambiente coletivo, público e privado".

Não dá pra crer no tamanho da bisonhice desse decreto, que, sob pretexto público, acaba se sobrepondo ao direito privado!

Esse prefeitinho néscio e demagogo de Salvador está impondo aos soteropolitanos uma arbitrariedade inacreditável. Trata-se de algo absolutamente hipócrita e regressivo em termos de legislação antitabaco, pois, ao invés de punir quem fabrica o produto (por via tributária, por exemplo), pune quem consome(*) e certamente não tem controle sobre o próprio vício.

Eu pergunto: onde os arautos do politicamente correto pretendem chegar?

(*) Eu não fumo e detesto cheiro de cigarro.

“Não tá mole esse calor. Só uma gasosa mesmo. Me vê uma aí, velho!”.

Observar o jeito indolente das pessoas que desfilavam pela cidade dos ourives era um prazer solitário e excêntrico, mas também um mecanismo de auto-afirmação. Haveria justiça na forma como se distinguem os indivíduos?

Seu pai, morto há mais de dez anos, lhe ensinou que sim. Seu pai, aliás, lhe ensinou quase tudo, inclusive a chamar água gaseificada de gasosa. E era nesse anacronismo dormente que ele remava, coagindo tradição, petulância e vontade de casar.

A juventude, naufrágio prenunciado, lhe parecia excessivamente temerária em seus trajes arrojados e fumegantes, mas ele próprio nunca consumou a maturidade. Tinha muita vontade de ser velho, só que não foi capaz de pular a adolescência e de domesticar o gênio barulhento. A desnatureza restou mais definitiva do que desejava, forjando uma personalidade ao mesmo tempo inquieta e austera.

“Moses supposes”. “Assim como Moses supposes”. Uma professora da faculdade disse-lhe certa vez que ele parecia um filme antigo cheio de bossa e picardia. Apesar de jamais ter visto o sapateado de Gene Kelly, Odinei Prudente achou a metáfora divertida e decidiu incorporá-la ao repertório.

O charme quadrado transparecia nas roupas impecavelmente cortadas e na forma solene com que falava do direito. Já a veia sacana era percebida nas conversas de bar e nas cantadas galhofeiras dirigidas às mulheres.

- Não exagere na água com gás, Doutor Prudente.

- Deus sabe o que faz, Ivan. Se, ao invés de gasosa, eu bebesse cachaça, essa cidade tava perdida...

(Trecho de um livro inacabado e sem nome, que ultimamente anda fluindo com incrível - e estranha - naturalidade).

Vivo. Muito vivo

Caetano Veloso é foda. Fala um monte de besteiras com o intuito exlusivo de gerar falsas polêmicas e, enquanto se expõe despudorada e calculadamente para a mídia basbaque, produz quietinho suas preciosidades. A última delas atende pelo nome de "Zii Zie" e pode ser considerada uma espécie de irmã bivitelina do ótimo "Cê". Com esses últimos trabalhos (inclua-se na lista o registro ao vivo da turnê "Cê"), "a vedete de Santo Amaro"(*) atinge, aos sessenta e tantos anos, um novo auge de sua capacidade criativa, que parecia em queda definitiva após o constrangedor "A foreign sound".

Isso é digno de nota, porque a maioria dos grandes cantores chega ao final da carreira apenas - e burocraticamente - entoando o basicão da grande canção, sem tesão e sem renovação (desculpem o eco). Vejam o caso de Gal Costa, que anda até fazendo bico em show da Dionne Warwick.

O próprio Caetano parece às vezes inclinado ao esquema banquinho e violão, como demonstrou na protocolar - e chata - homenagem aos 50 anos da bossa nova que fez com Roberto Carlos no ano passado.

Eu sei que essa cobrança é cruel (Lulu Santos tem uma frase massa sobre a exigência de renovação que os artistas consagrados sofrem: "ninguém olha para uma pessoa de sessenta e tantos anos e pergunta pra ela: que ruga é essa?"), porém, no caso de Caetano, só confirma a criatividade como valor atemporal e inesgotável.

"Zii e Zie" segue a linhagem de "Cê", mas vai além, utilizando guitarra, baixo e bateria, estrutua básica do rock, para refazer a base ritmica do samba. O resultado é imperfeito, mas nunca desprezível. Algumas vezes chega mesmo a ser espetacular, como em "Ingenuidade", na qual se percebe claramente a proposta transamba e transrock do disco.

Assim, Caetano, que megulhou nessa onda roqueira ao ouvir, uns cinco anos atrás, um disco dos Pixies gravado a partir de um programa para a BBC, propõe um diálogo entre o local e o global. O acerto da empreitada comprova que ele está muito vivo e distante do rótulo de velho medalhão da MPB.

(*) Alcunha dada ao Caetano (lá ele!) por Sêo Françuel, do blog Ingresia (http://ingresia.opsblog.org/).

Dilemas existenciais

Projeto artístico ou projeto terapêutico?

 
Lentamente começa a se ver como expressão passiva de um projeto existencial que está em alguma outra parte, desenhado por alguém que não ele. Talvez eu esteja a serviço de alguma coisa falsa, um secreto diamante de vidro de que sou vítima. O que não seria – ele admite, assustado – de todo mau. Escrevendo, pode descobrir alguma coisa, mas sem confundir – isso o escritor percebeu logo – a vida e a escrita, entidades diferentes que devem manter uma relação respeitosa e não muito íntima. Só sou interessante se me transformo em escrita, o que me destrói sem deixar rastro, ele imagina, sorrindo, antevendo algum crime perfeito. Ninguém descobrirá nada, ele enfim sonha, oculto em algum refúgio da infância. (O filho eterno, págs. 193 e 194)

É dura a vida de um candidato a escritor. Vira e mexe sempre aparece alguém pra te colocar no devido lugar. Meu último carrasco chama-se Cristovão Tezza.

“O filho eterno”, obra quase auto-biográfica do cara, me deu uma cacetada tão forte, que pretendo entrar em período sabático, só procurando por outro livro daqui algum tempo.

Há tanta humanidade no texto de Tezza, que fica difícil vivenciá-lo sem chorar. O fim, em especial, é de uma beleza atordoante (a minha experiência de leitura das últimas páginas teve toques adicionais de ficção: duas da madruga, o caminhão de lixo em alta na rua, um leve rumor de chuva e a solidão forçada pela vontade de sair do mundo real).

De cara, devo admitir que foi muito complicado sair do mundo real diante de uma história tão auto-referente e tocante. Vai ver esse é o segredo das grandes obras, o diálogo pela humanidade que, ao final, é comum a todos nós.

Antes de prosseguir, acho importante dizer que, em “O filho eterno”, Cristovão Tezza consegue ser humano justamente porque revela a nobreza e a miséria da natureza humana. Ele não faz nenhuma questão de edulcorar a relação com o filho down, de modo a tentar mostrar o quanto aquele indivíduo pode ser semelhante a outros mortais. Não, o livro não é uma tentativa de integração de um ser diferente ao mundo dos humanos normais. Antes, é o relato de um pai dilacerado pela dificuldade (impossibilidade?) de estabelecer uma sintonia com o descendente.

É nessa difícil relação que o autor deita e rola, ora relembrando sua própria existência, ora forçando uma compreensão (e uma comparação) com o ininteligível universo do filho. Com esse farto material, Tezza “trata” os males da sua cabeça, mas também subscreve um projeto artístico em terceira pessoa, “estetizando” a ventura e a desventura dos seus “personagens”.

Não há pieguice no discurso, nem auto-piedade, nem a pretensão da felicidade. É uma relação eterna que está em jogo, com todos seus dissabores e epifanias.

Livro memorável, que caiu nas minhas mãos no momento preciso.

Da série: bobagens que divertem

 

Que livro você é?

 

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra (http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml)

 

Segue o resultado da minha “radiografia”. Em vermelho, o desabafo do paciente.

 

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

 

Você é daqueles sujeitos profundos (xiiii). Não que se acham profundos – profundos mesmo (lá se vai meu sonho de participar do BBB). Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência (Richard Dawkins: rogai por mim!). A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma (sempre me vi no Fantástico Mundo de Bob). Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender (sorry, periferia).

 

 

Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única  (já me imagino numa mesa de bar, recitando Cioran: "o pessimista deve inventar para si mesmo, a cada dia, outras razões para existir: é uma vítima do sentido da vida").

 

"O vampiro de Curitiba", de Dalton Trevisan

 

Descolado, objetivo e realista. Cult (lá ele). Você deve se sentir mais à vontade longe de shoppings, da TV e de qualquer coisa que grite “cultura de massa” (é mentira, McLuhan). Nada de meias palavras: a elas, você prefere o silêncio. Você não vê o mundo através de lentes cor-de-rosa, muito pelo contrário. Procura ver o mundo como ele é, entendê-lo, senti-lo. Às vezes, bate até aquele sentimento de exclusão, ou de solidão. Mas é o preço que se paga por ser um pouco "marginal" (finalmente realizei meu sonho de ser visto como um outsider). Não se preocupe, pois você atrai a admiração de pessoas como você: modernas (ai, ai, ai) no melhor sentido da palavra.

 

Em "O vampiro de Curitiba" (1965), Nelsinho protagoniza uma variedade de contos, nos quais ele busca satisfazer sua obsessão sexual vagando pelas ruas de Curitiba (devasso, devasso!) - paralelamente, esta cidade de contrastes se revela ao leitor. A temática e a forma já denunciam: este não é um livro para qualquer um. Tem que ter cabeça aberta para enfrentar a linguagem nua e crua de Trevisan, que é reverenciado pelo leitor capaz de driblar velhos ranços burgueses (falando sério: meu sonho sempre foi escrever um roteiro para a franquia “Brasileirinhas”).

Voando alto

Eu não pensei que fosse possível, mas o novo álbum de Mariana Aydar, "Peixes, pássaros, pessoas" é melhor que o segundo de Roberta Sá, "Que belo estranho dia pra se ter alegria". A comparação aqui se faz inevitável, pois as duas despontam como os principais nomes da nova geração de intérpretes brazucas e transitam com desenvoltura pela gramática do samba. Ambas também foram patrulhadas por uma turminha modernóide de São Paulo por cantarem samba, essa "coisa velha". Mariana dá agora uma bela resposta para esses babacas. Entoa sambas, lindos e poderosos sambas ("Manhã azul", "Florindo"), ritmo que, como reconhece em faixa do próprio cd, a persegue (a todos nós, minha prezada Kavita), mas leva seu canto para outras dimensões. O que é "Beleza", caramba? Um ritual de exaltação sincopadamente charm, meio Ben Harper, meio Marisa Monte. E o que é aquela introdução a la Dizzy Gillespie de "Peixes"?

Discaço.

tudo é sempre

uma questão

de disciplina ou esbórnia

 

heloisa jahn

Estragos da ditadura do politicamente correto

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na noite de terça-feira (7) o projeto de lei antifumo proposto pelo governo do estado. O projeto de lei 577/2008 "proíbe o consumo de quaisquer produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, em recintos de uso coletivo e cria ambientes livres de tabaco".

Eu proponho brincarmos de silogismo.

Muita gente deve achar que quem fala alto em bares e restaurantes incomoda e que o falatório alheio contribui tremendamente para a poluição sonora dos espaços coletivos privados de nossas metrópoles (argumento pseudo-científico). Seguindo essa onda dirigista e autoritária encampada pelo Serra, não demora a aparecer um "benfeitor" interessado em proibir as pessoas de conversarem no Outback.

Enfim, primeiro eles pisam no seu jardim, depois...

Começo a temer a ditadura do politicamente correto.

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